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Escola de bicicross em Santa Maria forma atletas

06/05/2019

/ por Paulo Melo
Brasília conta com 20 atletas que competem entre as modalidades do bicicross; o grupo SPJ – Saltando para Jesus treina crianças e adultos para o esporte

O bicicross é um esporte praticado com bicicletas especiais, uma corrida em pista de terra. Ele surgiu no final da década de 50 na Europa, e se popularizou no Brasil no início dos anos 70. Em Brasília, o esporte conta com três pistas localizadas em Santa Maria, Guará e Sobradinho 2, onde são feitos treinos com crianças e adultos, capacitando-os para as competições, dentro e fora da cidade.

Fernando Luiz é um dos idealizadores do grupo de bicicross em Santa Maria. Ele conta que pratica o esporte desde os seus 14 anos e chegou a competir nas modalidades de bicicross no Brasil. Mas a falta de patrocínio o impediu de ir mais além. “Eu não fui competir fora do país por falta de patrocínio, na época eu não tinha dinheiro”.

O esporte é composto por duas modalidades: o BMX Racing, na qual os competidores competem com corrida, e o BMX Freestyle, onde são feitas manobras. O freestyle também é dividido em modalidades, diferenciadas pelo local e pela forma como as manobras são executadas.

Essas modalidades são: Dirt Jumping, praticado em rampas de terra, com alturas e distâncias variadas, sendo elas únicas, doublés ou sequencias, chamadas de trails. É uma mistura de manobras vista no vert e com grandes saltos do bicicross.

Vert ou vertical é praticado em rampas com formato de “U”, chamada half-pipe. São feitas manobras nas bordas e nos aéreos (vôos para fora da rampa) buscando realizar manobras com alto grau de dificuldade o mais alto possível nos dois lados da rampa.

Street é praticado nas ruas, em que os obstáculos são tudo o que possa ser encontrado, desde paredes, monumentos, escadas, bancos, corrimãos e etc. Combinando manobras do Dirt, Vert e Flatland é realizada ao ultrapassar algum obstáculo, usando a criatividade para cada obstáculo encontrado na rua.

O Park, praticado em espaço fechado, chamados de skateparks ou bikeparks, onde encontram-se obstáculos que simulam os obstáculos de ruas como escadas e corrimões. Hoje, possui um desenho próprio com rampas para saltos e aéreos, paredes, bancadas e muros.

Flatland é praticado em áreas planas e sem obstáculos, são manobras com um desafio de equilíbrio, agilidade e criatividade, podendo ser parado (usando freios) ou com movimento (sem os freios). Os atletas executam várias combinações seguidamente sem interrupção do movimento entre uma manobra e outra. A bicicleta usada para o flatland é diferente das usadas nas outras modalidades do freestyle.

Patrocínio

Brasília conta com 20 atletas profissionais de bicicross, contando com os atletas de Santa Maria, Guará e Sobradinho 2. Quando há uma competição fora de Brasília, o grupo SPJ – Saltando para Jesus se junta para arrecadar dinheiro e fazer as inscrições dos atletas. Fernando conta que tem o apoio financeiro de uma padaria, uma oficina de bicicleta e seu lava jato, mas muitas vezes o dinheiro não é suficiente para inscrever todos os atletas.

Atletas de Brasília na Copa Penks Internacional BMX e Cobra Brasil BMX, realizadas em São Paulo

A escola conta com 10 bicicletas que são divididas entre os competidores. Em um primeiro momento o aluno novato treina com bicicletas comuns. Após estar devidamente apto para o esporte, passa a utilizar as bicicletas de competição, que são compradas com as arrecadações dos atletas.
John Kennedy Azevedo tem 25 anos e há 10 anos pratica o esporte. Três vezes campeão brasiliense e campeão internacional de bicicross, conheceu o esporte quando a pista em Santa Maria ainda estava sendo construída e desde então não parou mais de treinar. “Meu amigo estava construindo uma pista no meio do cerrado, e ali eu comecei tudo. Montei uma bike, começamos a treinar juntos e conhecemos um senhor chamado Dote, que veio da gringa e mostrou o bicicroos pra gente, levou a gente para um campeonato no Guara. E foi assim que participei da minha primeira corrida e comecei a me interessar pelo bicicross”.

Nos dias 25 e 26 de maio haverá uma competição internacional de bicicross em São Paulo, na qual 5 dos 20 atletas profissionais de Brasília estão inscritos. “Estão inscritos 3 adultos e duas crianças para essa competição, mas o nosso objetivo é fazer a inscrição dos 20”.

Escolinha de bicicross

Pista de bicicross em Santa Maria

Hoje, Santa Maria conta com uma escolinha de bicicross, que é feita para ajudar as crianças da comunidade. Fernando Luiz conta que o seu objetivo é tirar as crianças da rua e do meio do tráfico, e com isso procuram saber como essa criança é dentro de casa e na escola. “A criança vê a gente treinando e fica interessada.

Vamos na casa e perguntamos como ela é em casa e como estão suas notas na escola. Se chega uma criança aqui em seu horário de aula, a gente liga pra escola para saber se não tem aula e o porquê dela não estar na escola e não deixamos a criança treinar naquele dia”.

Fernando fala que o seu objetivo é fazer um projeto com todas as escolas de Santa Maria, conseguindo tirar o maior número dessas crianças do mundo da criminalidade. Mas para conseguir fazer esse trabalho precisa da ajuda do governo, com melhorias na pista de bicicross e uma faixa de pedestre para a passagem das crianças, além de patrocínio para as inscrições e equipamentos adequados nas competições.

Por Flávia Lima

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