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Projeto compostar transforma lixo orgânico em adubo

05/10/2017

/ por Paulo Melo
Os assinantes recebem um balde juntamente com uma sacola reciclável para a separação dos resíduos



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O Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU) coleta 15.348.63 toneladas de resíduos domiciliares semanalmente no Distrito Federal. Brasília é a terceira cidade que mais gera lixo no país. Os resíduos, quando descartados de forma inadequada, colocam em risco a saúde pública e contribuem com problemas ambientais. “A gente acha que existe essa máquina mágica que leva o lixo, mas não é bem assim”, diz o empresário Pedro Henrique Cunha, que pensando em criar uma solução melhor para o descarte de lixo, se juntou a Lucas Moya para fundar o Projeto Compostar.

A ideia é gerar um impacto socioambiental e uma conscientização a respeito do destino do lixo. Os assinantes do programa recebem um balde juntamente com uma sacola, também reciclável, e instruções do que pode ou não ser jogado fora. A partir daí, toda semana a sacola é recolhida e os resíduos são levados para o pátio de compostagem, onde viram adubo. “Queremos oferecer uma solução simples e prática para as pessoas que querem ter atitudes mais sustentáveis. Porque se você parar para pensar, esse lixo que hoje vai para o aterro sanitário, pode ser transformado em algo com um fim muito mais adequado”, explica Pedro.

O fundador do projeto ainda esclarece que a compostagem é um processo natural e pode ser feita sem muitos esforços e com custos mínimos, o que resulta em grandes benefícios para o solo e para as plantas. “É basicamente um método de reciclagem dos resíduos orgânicos. A gente só coloca uma camada de resíduo seco, uma de lixo orgânico e mistura com o resto de poda, depois de dois, três meses isso vira adubo”.

Instruções sobre o que deve ou não ser descartado no balde do Projeto.

A estudante de psicologia, Clarisse Costa de 19 anos, conta que começou a fazer a destinação correta do lixo orgânico por conta do projeto. “Eu participo desde o primeiro mês que foi lançado e a importância que ele trouxe para a minha vida foi muito maior do que apenas destinar o meu lixo orgânico para um lugar. Foi me deixar consciente de que o que eu produzo, não desaparece. Me tirou aquela ilusão da mágica do lixo”, afirma.

A simples mudança na reutilização das sobras de matéria orgânica reduz os impactos negativos no meio ambiente e traz a compreensão de um consumo consciente. Desta forma, a reciclagem do lixo orgânico gera o adubo que pode ser usado para a melhora da saúde do solo, impactando diretamente na agricultura. “Com o resultado da compostagem, você devolve para a natureza o que ela te deu para consumo, fechando um ciclo”, explica o químico Fabrício Fortes.

O químico ainda alerta sobre as consequências do descarte errado do lixo. “Os impactos nós já colhemos hoje. Existem lugares onde acontece a contaminação dos mananciais e do solo por conta desses resíduos. Sem contar a perda econômica, porque se enterra um material reciclável e orgânico que podia ser compostado por um baixo custo, ajudando na agricultura.

O projeto está funcionando desde de julho desse ano e atende as regiões da Asa Sul e Norte, Lago Sul e Norte, Sudoeste, Octogonal, Cruzeiro e Noroeste. Conta atualmente com cem assinantes residenciais, recolhendo no total de 350kg por semana, além de fazer toda a coleta do evento “Na praia”. “Para o futuro, a gente espera atender todas as regiões do DF e conseguir levar a conscientização para o maior número de pessoas. Porque o objetivo maior de tudo isso é fazer com que o cliente passe a compreender melhor a questão do lixo e como é importante cuidar disso”, conclui Pedro Henrique.

O financiamento do projeto é feito de forma coletiva. A partir do momento que a pessoa se torna colaboradora, é preciso contribuir com uma quantia mensal de 65 reais. A cada quatro coletas, o assinante pode escolher receber uma muda de hortaliça para o desenvolvimento de uma horta caseira ou 1kg de adubo orgânico. “A ideia é lembrar que a pessoa não está assinando para receber a mudinha, mas justamente para contar a história de que a casca de banana que ela jogou há uma semana atrás, vira sim uma outra coisa”, conta o fundador do projeto.

Para saber mais da iniciativa e como se inscrever, acesse o site: https://benfeitoria.com/projetocompostar.


Por Bianca Andrade

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