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41,5% dos jovens brasileiros de 19 anos não concluíram ensino médio

Pesquisa foi feita pelo Movimento Todos pela Educação; desigualdades e falta de estrutura do ensino são os principais motivos para este resultado

Em 2015, 41,5% dos jovens de 19 anos não haviam terminado o ensino médio. Outros 2,4 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estavam fora dos bancos escolares no mesmo período. É o que diz o levantamento divulgado pelo Movimento Todos pela Educação, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

A pesquisa mostrou que o Brasil está melhorando os índices gradativamente. As matrículas no ensino médio regular subiram 0,7% de 2015 para 2016. Cresceu o interesse pelo ensino médio integral, no qual as matrículas avançaram 8,6% no mesmo período. Os alunos do ensino médio em tempo integral aumentaram de 5,9%, em 2015, para 6,4% em 2016.

Gilberto Lacerda, pós-doutor em educação e tecnologias da Universidade de Brasília, conta que o principal motivo para este resultado são as desigualdades econômicas. “Em todo o país, jovens abandonam os estudos para buscar subsistência, geralmente no mercado de trabalho informal”. Lacerda também cita outros fatores. “O acúmulo de dificuldades cognitivas ao longo dos anos e a falta de perspectiva na escola, de modo geral”, pontua. “Há muitas situações diferentes no Brasil, desde escolas que funcionam como as dos melhores centros do mundo, até escolas que funcionam nas piores condições possíveis”.

Um retrato desta realidade é Ana Ferreira. Com 18 anos, ela parou de estudar quando estava no 1º ano do ensino médio. Ana relata que decidiu morar sozinha e os pais não estavam ao seu lado para incentivá-la no estudo. “Não tinha interesse, nem vontade”. Mas revela que percebeu o tempo perdido e pretende voltar a estudar. “Acho muito importante isso, mas a vida que estou levando não está dando certo”.

Wadilla Frias relata que perdeu várias oportunidades por não concluir o ensino médio cedo

Outro exemplo é o caso de Wadilla Farias, 20, que acabou de concluir o ensino médio. Wadilla reprovou três anos e relata que não estudava por falta de interesse. Hoje ela conta os problemas que isto causou. “Eu perdi a oportunidade de entrar cedo numa faculdade, e agora eu tenho que trabalhar mais para depois conseguir fazer uma”. A estudante ainda lamenta. “Acabei que me arrependi e hoje vejo o tanto que perdi”.

Manoel Neto é professor de química da rede pública de ensino e de uma escola privada. Ele dá aula no EJA (Ensino de Jovens e Adultos) e no ensino médio regular. Segundo o professor, seu maior desafio é incentivar os alunos a estudarem. “Uma coisa que eu percebi nos 12 anos em sala de aula é que os bons alunos são assim porque eles têm o incentivo dos pais”, e lembra que muitos não têm esse tipo de referência. “Quando você tem uma orientação dentro de casa, como pais, amigo, tios ou um irmão, isto se torna mais palpável. O que eu cobro na escola pública não é nem metade do que eu cobro na escola particular”.

Segundo o professor, o nível dos alunos do EJA, por exemplo, é bem diferente do que a média da rede privada. “Eu sei muito bem que se eu cobrar o mesmo que na escola particular muitos irão trancar a matrícula”, relata. Um dado que confirma esta realidade é o ranking divulgado pelo Ministério da Educação, onde das 100 primeiras escolas do DF com maior nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015, apenas seis são públicas.

O novo ensino médio

O governo federal aprovou uma reforma do ensino médio no início de 2017 que prevê maior flexibilidade do currículo, onde 60% da grade curricular serão compostas de disciplinas obrigatórias e 40% serão opcionais. O estudante tem que escolher uma das cinco áreas para se especializar: linguagem e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas ou formação técnica profissional. A carga horária também deve aumentar de 800 horas anuais para 1.400 horas gradativamente.

Getúlio Sousa é diretor do Centro Educacional 01 do Cruzeiro (Ceduc). A escola foi uma das primeiras do Distrito Federal a se enquadrar nos novos moldes feitos pela reforma. Os alunos do Ceduc estudam em ensino integral e em regime de semestralidade, igual às universidades, e podem escolher um curso técnico para se especializar a partir do 2º ano do ensino médio. Para Getúlio, estas medidas estão sendo bastante positivas para a escola e os alunos. “São menos disciplinas para estudar”, diz. Ele ainda revela que estas medidas deram um grande salto de qualidade. “Este ano a escola ficou em 6º lugar no Enem, no Distrito Federal”.

Para Lacerda, a reforma pode trazer várias possibilidades aos jovens, mas vai demorar a dar um bom resultado. “A reforma tem várias dimensões diferentes e não se pode avaliar tudo ao mesmo tempo, em bloco”, conclui.

Por Douglas Rodrigues.

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