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Crise e baixa rentabilidade afastam investidores das poupanças

21/04/2017

/ por Paulo Melo
País bate recordes de saques e pessoas buscam outras formas de investimento

A caderneta de poupança registrou retiradas líquidas de R$17,4 bilhões no 1º trimestre de 2017. No ano de 2016, foram retirados R$40,7 bilhões. O ano de 2015 teve o maior número de saques da série histórica iniciada em 1995, com R$ 53,5 bilhões. Aumento do desemprego, queda de renda e pouca atratividade têm afastado os poupadores da caderneta de poupança.

O resultado destes números é reflexo do saldo negativo que a economia nacional teve nos últimos anos. A taxa de desemprego chegou a 12,6%, com 12,9 milhões de desempregados no último trimestre encerrado em janeiro, segundo dados do IBGE.

Houve também uma grande perda de rentabilidade na caderneta com relação a outras aplicações. Segundo dados do Banco Central a poupança rendeu 8,27%, contra 13,88% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) nos últimos 12 meses.

Para Carlos Ramos, doutor em economia da Universidade de Brasília, o país perde com este resultado. Segundo ele o grande número de saques na poupança é ruim para o país. “O Brasil poupa pouco, 20% do PIB. Na China se poupa 50% do PIB”. Para o economista, o hábito de poupar ajuda no crescimento do país: “pode-se investir mais e crescer mais”, afirma.

Ramos conta que além da crise, muitas pessoas preferem outras formas de investimento, o que justifica a retirada da caderneta. “O Brasil tem um mercado financeiro muito sofisticado e há muitas formas de investimento, com retornos superiores aos da poupança”, diz.

Um exemplo desta mudança de hábito é Hosana Dourado, 26, administradora de empresas, que prefere poupar dinheiro através de um consórcio. A administradora relata que o método usado pelo consórcio é mais eficiente que a poupança tradicional. “Você tem a obrigatoriedade de pagar a outra pessoa”. O que não ocorre normalmente nas poupanças tradicionais, onde o poupador pode depositar mensalmente algum valor, afirma Hosana.

Outro retrato desta mudança é o estudante Patrick Aires, 20, que retirou dinheiro de sua caderneta de poupança nos últimos meses com o objetivo de saldar dívidas. “Como as coisas aumentaram muito nos últimos meses, eu tive que tirar o dinheiro que estava juntando na minha conta”, diz o estudante.

A caderneta de poupança é o principal meio de investimento dos brasileiros. Segundo levantamento realizado em 2016, pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e do Instituto Ipsos, 76% dos brasileiros, com algum dinheiro guardado, dizem que ela é a principal opção de investimento.

Hoje os bancos oferecem muitas formas de investimentos, com retornos superiores aos da poupança

HÁBITO DE POUPAR VEM DESDE CEDO 
Muitas famílias cultivam o hábito de poupar desde cedo. É o que relata Cristina Oliveira, 38, contadora, que é mãe de um menino de dez anos e uma garota de quinze. Ela deu um pequeno cofre para sua filha quando ela era mais nova. “Eu dei um cofrinho pra ela. Ela guardava dinheiro até o final do ano”. Cristina também comenta que pretende abrir uma conta poupança para seu filho, com o intuito de que ele poupe desde cedo.

A funcionária pública Zelina Silva, 48, é mãe de duas garotas. Quando as meninas eram mais novas a funcionária pública abriu uma conta na caderneta de poupança para elas. “Com o passar do tempo elas tiveram a vontade de comprar algumas coisas e saquei (o dinheiro)”, diz. Segundo Zelina este hábito as ajudou a terem mais responsabilidade com seu dinheiro.

Fernanda Lima, pesquisadora em economia pela PUC-SP e gerente de um banco, cita algumas opções para pais que quiserem incentivar seus filhos a investirem desde cedo. Para a economista os pais podem criar uma poupança adequada a eles. Ela informa que o processo é muito simples, basta o pai ir num banco com seus documentos e abrir uma poupança, que não tem custo, “a não ser que seja usada como conta corrente”.

A economista informa outra opção, que é a “previdência junior”. “Ela tem um pecúlio (pequena reserva em dinheiro). O pai deposita todo mês uma quantia, para que essa criança, no futuro, possa comprar um carro, pagar a faculdade ou até ter uma renda”, diz. Ela relata ainda que diferente da poupança, que não tem nenhuma taxa, a previdência junior tem cobrança de taxas administrativas dependendo do banco.

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