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Artigo: Viver Brasília

28/04/2017

/ por Brasilia de Todos Nós
Por Rodrigo Rollemberg

Quando se pergunta a apaixonados por Brasília, como eu, do que mais gostam na capital do país, brotam várias respostas. Difícil de mencionar um único aspecto

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Há quem goste do verde, do céu azul, das superquadras, do lago que parece abraçar o território, da qualidade de vida das diversas cidades, do horizonte que nos une, da facilidade em se criar filhos ou da gente vinda de todos os estados para aqui fundir os hábitos e o jeito de falar numa nova identidade. Brasília é mesmo singular. Nasceu moderna do traçado genial do urbanista Lúcio Costa e dos contornos exuberantes projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

É fruto da ousadia do presidente Juscelino Kubitschek, que executou a ideia concebida ainda no Brasil Colônia de trazer a capital do país para o Planalto Central e, partindo do zero, a construiu em pouco mais de três anos. Frequentemente, JK aparecia nos canteiros de obras, animando os candangos. Certa vez, ao perguntar a um deles que misturava massa de cimento o que estava fazendo, ouviu: “estou construindo uma cidade”. JK sorriu generosamente, percebeu que aquele brasileiro, embora bastante simples, tinha noção da importância daquela jornada histórica.

Da idealização à construção, Brasília sempre esteve na vanguarda. Atualmente, já se fala que a Missão Cruls produziu, ainda no século XIX, o primeiro EIA-Rima da capital ao qualificar a área em formato de quadrilátero, onde mais tarde, com ajuda de imagens aéreas, o Relatório Belcher apontou o sítio Castanho como o mais apropriado à construção do Distrito Federal.

Em 1987 e aos 27 anos de idade, Brasília tornava-se a cidade mais jovem e a única construída no século XX a ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Hoje, ao completar 57 anos, continua ostentando a maior área inscrita na lista da Unesco como conjunto urbanístico individual.

Às vésperas do aniversário, Brasília ganha, de novo, reconhecimento internacional e que aumenta muito a nossa responsabilidade. Desta vez, o motivo é a concepção e execução de política pública na área de segurança. Três dias atrás, a União das Cidades e Capitais Ibero-americanas – UCCI declarou Brasília “capital ibero-americana da paz.

O título é um prêmio ao Viva Brasília - Pacto pela Vida, programa com foco em prevenção e fomento à cultura de paz, que vem reduzindo significativamente a violência em dois anos de governo. A taxa de homicídios que, em 2014, era de 24,3 por cada grupo de 100 mil habitantes caiu a 19,7 no ano passado, a menor em 23 anos. O sucesso do programa continua. A soma do número de homicídios caiu 22,8% nos três primeiros meses, comparado a igual período de 2016. Ainda estamos muito longe do ideal, mas o reconhecimento da UCCI nos anima a seguir no rumo certo.

Neste ano, comemoramos outro marco inovador na história de Brasília: o concurso internacional realizado 60 anos atrás, com participação de notáveis urbanistas, arquitetos e artistas, para a escolha do projeto urbanístico que deu forma à cidade.

O Lago Paranoá, item obrigatório naquela disputa, será agora objeto do segundo mais importante concurso da capital. Colhemos subsídios para elaborar o termo de referência deste concurso em consulta e reuniões públicas. Ouvimos da população o que quer de intervenções na orla do Lago Paranoá. A democratização do uso do lago, apoiada por 80% dos moradores, resgata o espírito de vanguarda de Brasília e sua escala bucólica. O lago é nossa praia e praia tem de ser de todos.

Áreas carentes, como Sol Nascente, Buritizinho e Porto Rico, também são alvos prioritários de políticas públicas e estão recebendo redes de esgoto e de águas pluviais e pavimentação, transformando comunidades precárias em cidades com qualidade de vida. Mesma estratégia aplicada em Vicente Pires. 

A nossa responsabilidade com Brasília passa também por investimentos em obras estratégicas para enfrentar a crise hídrica e tornar a capital menos dependente da Bacia do Descoberto. Após 16 anos sem investimentos em captação e tratamento de água, estamos construindo a Estação de Tratamento de Água e adutora de Corumba IV, além da captação do Sistema Bananal e do Lago Paranoá. Também estamos revitalizando os canais utilizados para irrigação pelos agricultores na Bacia do Descoberto.

Igualmente importante são o combate à grilagem e a legalização de lotes. Do início do governo até o momento, entregamos 25 mil escrituras, a maior soma de todos os governos, colocando cerca de 100 mil pessoas na legalidade. Quem quer empreender encontra ambiente mais propício, a simplificação da abertura e do encerramento de empresas que adotamos virou modelo no país, tendo adesão imediata do prefeito João Dória que o replicará em São Paulo.

É preciso ressaltar ainda que tudo isso vem sendo realizado em cenário de grave crise econômica do país. Mas, com muito esforço e muito trabalho, mantemos as contas equilibradas, quitando dívidas herdadas e pagando salários dos servidores sem atraso, enquanto outras unidades da Federação mergulham em caos financeiro. Este é outro presente para a capital, possível porque à frente do governo está uma geração de Brasília, técnicos capacitados e comprometidos que amam a cidade. Isso é cuidar de Brasília.

Essa quase sessentona acolhe hoje cerca de 3 milhões de pessoas. Convido cada um e cada uma e também turistas a aproveitarem o feriado de aniversário ou qualquer outro dia de folga para circular pelas ruas e viver Brasília, em suas dimensões monumental, residencial, gregária e bucólica. É algo inesquecível!


Rodrigo Rollemberg - Governador do Distrito Federal.

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