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CIDADES DO DF: Taguatinga é o maior polo comercial do DF

03/03/2017

/ por Paulo Melo
Madura e independente, Taguatinga agarrou-se ao título de capital econômica do Distrito Federal. A cidade, criada antes mesmo de Brasília, é a mais rica do quadrilátero candango e acumula o maior número de empresas: 12 mil

O forte comércio de rua, referência para toda a região, teve de aceitar a concorrência dos shoppings, mas não perdeu a majestade. Feiras e avenidas continuam a atrair multidões em busca de variedade de produtos e preços baixos.


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Fundada em 1958 e reconhecida como cidade em 1970, a Região Administrativa III foi batizada de Vila Sarah Kubitschek, depois como Santa Cruz de Taguatinga e por fim Taguatinga. Criada em função do superpovoamento da Cidade Livre (Núcleo Bandeirante) e projetada no Plano Urbanístico de Brasília para ser uma cidade dormitório, desde o povoamento Taguatinga contempla estrutura de cidade desenvolvida. Apenas seis meses depois da instalação dos primeiros moradores por lá já funcionavam escolas, hospitais e estabelecimentos comerciais e havia casas para professores.

Devido ao grande crescimento populacional as cidades foram desmembradas, e a partir de Taguatinga originaram-se novas Regiões Administrativas, como Ceilândia e Samambaia, que faziam parte da RA III até 1989. Em 2003, foi desmembrada de Taguatinga a Região Administrativa de Águas Claras e, em 2009, a RA XXX – Vicente Pires. Tantas alterações na fisionomia da cidade obrigam Taguatinga a conviver com uma série de indefinições territoriais. Hoje ela se divide em Setor de Chácaras, Setor de Mansões de Taguatinga, Taguatinga Centro, Norte e Sul e o Setor M Norte.

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Considerada a capital econômica do Distrito Federal, com 12 mil empresas, 100 mil trabalhadores e um comércio que abastece a população local, estimada em 221 mil habitantes, a cidade desenvolveu atividades diversificadas e tornou-se autossuficiente em quase tudo. Taguatinga oferece oportunidades de trabalho em lojas, atacados, fábricas, hotéis, faculdades e hipermercados. De acordo com dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), em 2011, de 41,7% da população que exerce uma atividade remunerada, 28,7% desenvolve atividades no comércio.

A Avenida Comercial, centro nervoso do comércio da cidade, é dividida em Central, Norte e Sul. O marco, no entanto, é a Praça do Relógio, ponto turístico e cultural – lá está a Administração Regional e a estação do metrô. Na praça são realizadas feiras de artesanato uma vez por mês, sempre na segunda semana.

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Nas avenidas comerciais é possível encontrar lojas de roupas, eletrodomésticos, móveis, calçados, artigos para festas, atacado de confecções. De acordo com a Associação Comercial, são 12 mil lojas. O edifício TaguaCenter, referência recente para prestadores de serviços e profissionais liberais, está localizado em Taguatinga Norte. Inaugurado em 1973, o centro comercial é constituído de 120 lojas. É próximo ao prédio que acontece toda quarta-feira a Feira dos Goianos, famosa pela variedade de roupas e acessórios vendidos a preços populares.

A cultura do comércio de rua só enfrenta a concorrência com os dois shoppings da cidade: o Taguatinga Shopping – localizado às margens do Pistão Sul (com 240 lojas em funcionamento) –, e o Alameda Shopping, o mais tradicional – localizado na Avenida Comercial Sul (com 120 opções).

Taguatinga também conta com os distritos industriais importantes localizados entre as avenidas Sandu Norte e Hélio Prates, próximos da BR-060, que liga Brasília a Goiânia. O setor H Norte, próximo à BR-070 (saída para Águas Lindas), é ocupado por oficinas mecânicas.

Entre as opções culturais em Taguatinga, o Pistão Sul é a principal referência. Casas noturnas disputam a atenção de quem quer diversão sem gastar muito. Na Avenida das Palmeiras, onde estão concentrados bares com música ao vivo, o foco está nos jovens e no público de classe média.

A cidade também abre espaços para feiras típicas ou temáticas na Praça do Bicalho e na Praça do DI, localizadas entre a Avenida Comercial Norte e o Pistão Norte, onde podem ser encontrados produtos hortifrutigranjeiros e comidas típicas. Há ainda estruturas esportivas, igrejas, posto policial e escolas.

Os movimentos populares organizados são outro diferencial da cidade. Desde 1983, quando aconteceu a 1ª Semana de Arte e Cultura de Taguatinga, associações, sindicatos, federações e centros culturais foram criados. Ao longo de seus 54 anos, Taguatinga enraizou culturas e costumes, abrindo espaços para artistas e viabilizando intercâmbios culturais.

Atualmente os pontos de cultura e os grupos culturais estão concentrados no Mercadão Sul, chamado de “Berço da Cultura”. Cada ponto expressa e preserva uma raiz cultural. O Ponto de Cultura Invenção Brasileira trabalha com oficinas e confecções como arte em reciclagem, produção de mamulengos, artesanato, design gráfico e cine clube. Por sua vez, o Ponto de Cultura Cia Artcum oferece oficinas de teatro e oficinas Luthieria voltado para instrumentos de percussão.

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Entre os blocos de folia de rua destaca-se o Grêmio Dramático, Recreativo e Carnavalesco Mamãe Taguá, criado em 1995. Nele desfilam 22 bonecos gigantes que caracterizam os construtores de Brasília. O bloco preserva a cultura nordestina.

Na arte cinematográfica, o Festival Taguatinga de Cinema está consolidado, brindando o público com palestras, workshops e atrações culturais. Local de encontro de estudantes, amantes de cinema, de artistas e da comunidade, o festival ocorre em junho, mês do aniversário da cidade, e dura seis dias.

O Ponto de Cultura Tribo das Artes, por sua vez, exalta a cultura popular por meio de saraus e recitais onde são apresentados poesias de cordel, artesanatos, mamulengos, repentistas, bonecos gigantes e músicas regionais. Essas apresentações ocorrem mensalmente com o objetivo de divulgar os trabalhos artísticos dos agentes culturais. A associação cultural desenvolve oficinas voltadas à cultura digital, produção de documentários, projeção de curtas-metragens, publicação de revistas, entre outros eventos.

A estrutura urbana de Taguatinga é composta de 65 instituições educacionais públicas; uma biblioteca pública; uma biblioteca Braille; quatro praças; sete parques ecológicos; um Batalhão de Incêndio (2º BGM/Taguatinga, CBMDF); um Batalhão da Polícia Militar (2º BPM); três Delegacias de Polícia: 12ª, 17ª e 21ª DPs; oito centros de saúde e dois hospitais.

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Com cerca de 350 mil habitantes, Taguatinga costuma ser a menina dos olhos dos governantes. Na gestão passada, chegou a abrigar o centro administrativo do Executivo local, o já desativado Buritinga. Apesar de a arrecadação com impostos não ser separada oficialmente por região administrativa, estima-se que, fora do Plano Piloto, circula ali a maior riqueza do DF. A economia de Taguatinga é determinante para o desenvolvimento da capital.

A cidade cresceu assustadoramente em função do comércio e da criação de empregos. Pelo menos 100 mil pessoas trabalham em Taguatinga, situada a 19km do centro de Brasília e dividida em quadras residenciais, comerciais e industriais. Na hora de procurar espaço no mercado de trabalho, a população de localidades como Ceilândia e Samambaia ainda recorre à vizinha considerada motor econômico do DF.

Taguatinga firmou sua autonomia na última década. Abastecida por lojas, atacados, fábricas, hotéis, faculdades, hipermercados e atendida pelos mais diversos serviços, se consolidou como principal polo de atração de investimentos em volta de Brasília. “Com um comércio ativo, ela está economicamente consolidada. Encontra-se um pouco de tudo na cidade”, diz o consultor de varejo e sócio da Neocom Informação Aplicada, Alexandre Ayres.

Avenida Comercial
Um dos principais centros de consumo do DF é a Avenida Comercial de Taguatinga. Do lado norte, onde se concentra o maior número de lojas, os segmentos de móveis, colchões, calçados e confecção se destacam. Atentos à grande movimentação de pessoas, de segunda a sábado, agências bancárias, clínicas médicas, bares e restaurantes se instalaram ao longo da avenida.

Filho de um dos pioneiros mais conhecidos de Taguatinga, Jamal Kamal, 34 anos, viu a Avenida Comercial nascer. Aos 10 anos, ele começou a trabalhar com o pai, o palestino Abdel Kamal, 75, que desembarcou no Planalto Central em 1955, fugindo da guerra no Oriente Médio. “Meu pai não sabia falar português direito. Mesmo assim, trabalhava como vendedor, batendo de porta em porta”, conta Jamal.

Há 15 anos, a família inaugurou a primeira loja de materiais esportivos da cidade. Hoje, são duas unidades na famosa avenida. “Esta região é o pulmão do DF, onde circula o dinheiro. Se a Comercial Norte quebrar, a economia local quebra”, diz o empresário, que passa a maior parte do dia nas lojas. “A diferença em Taguatinga é esta: você encontra o dono com facilidade e pode negociar diretamente com ele”, afirma.

Encontrar imóvel ocioso na Avenida Comercial não é fácil. Muita procura e pouca oferta elevam os preços de aluguel. Um espaço de 250m2 que há cinco anos valia R$ 6 mil por mês hoje chega a R$ 10 mil — valorização média de 13% ao ano. E, ao passar o ponto, agora cobra-se a chamada luva, valor adiantado pago para assinatura de contrato em áreas muito valorizadas, como o Plano Piloto. O mesmo já ocorre em alguns pontos da Avenida Central.

O edifício Taguacenter, na Avenida Hélio Prates, é outro centro comercial pujante. Os armarinhos atraem a clientela. “Gente não falta aqui. E as pessoas estão comprando cada vez mais”, percebe Francisco Leite, 63 anos, dono do Armarinho Novidades, que abriu as portas há 28 anos. Hoje, emprega 45 pessoas e ocupa uma área de 3 mil metros quadrados. “Quem quiser variedade e preço bom tem que vir a Taguatinga”, diz a mulher dele, Zélia Leite, 60.

Há 17 anos morando em Taguatinga, a assistente social Maria das Graças Saraiva, 50, passa semanas sem ir ao Plano Piloto. “Não preciso mais ir ao Plano. Tenho tudo o que preciso perto de casa e posso fazer minhas compras a pé”, justifica ela, em frente ao Alameda Shopping, o mais tradicional da cidade. Em média, 30 mil pessoas circulam diariamente pelo centro comercial inaugurado em 1990 e formado por 120 lojas.

A abertura do TaguatingaShopping, em novembro de 2000, foi um marco na economia local. Às margens do Pistão Sul, ao lado do hipermercado Extra, o estabelecimento recebe cerca de1,3 milhão de visitantes por mês. Ao longo da década, passou por ampliações para atender à demanda crescente. Nove salas de cinema, 240 lojas e 24 lanchonetes e restaurantes funcionam em um espaço de 126,5 mil m2.

Não há mais para onde crescer
O comércio varejista a todo vapor impulsionou o atacado em Taguatinga. Os maiores do setor — dos ramos de calçados, roupas, alimentos e brinquedos — estão presentes na cidade. “A economia local precisou se adequar à realidade. Com um varejo muito forte, o crescimento do atacado se tornou inevitável”, analisa o presidente da Associação Comercial e Industrial de Taguatinga, José Sobrinho Barros, que neste mês assumiu o conselho deliberativo Sebrae-DF.

As indústrias também encontram espaço na mais próspera das regiões administrativas. Há centros industriais entre as avenidas Sandu Norte e Hélio Prates; nas proximidades da BR-060 (que liga Brasília a Goiânia); no setor conhecido como H Norte; perto da BR-070 (saída para Águas Lindas) e próximo à Avenida Elmo Serejo. “Não temos mais para onde crescer. É necessário qualificar o que temos”, defende Barros, ao reclamar da falta de opções de lazer e de um centro de convenções.

Um condomínio de luxo em uma área de 182 mil metros quadrados, com prédios de alto padrão, 3 mil vagas de estacionamento, áreas livres, jardins, espaços para restaurantes, bancos, lojas e supermercado. Há dois anos, toda essa estrutura erguida para abrigar, em um único local, a sede do governo do Distrito Federal e seus 13 mil servidores, está fechada, sem nunca ter sido utilizada.

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No lugar da promessa de revolucionar a gestão pública e reduzir os custos da capital federal, o Centro Administrativo do DF, construído em Taguatinga, a 22 quilômetros do Palácio do Buriti, se converteu em uma vila fantasma, onde uma manada de elefantes brancos já dragou cerca de R$ 1 bilhão em investimentos.

Administração Regional: 
Área Especial – Praça Central
Taguatinga-DF, CEP: 72018-900
Fones:(61) 3451-2504/3451-2500 / 3451-2505
Fax: (61) 3351-7077
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