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ARTIGO: Os síndicos que ficam vários anos no cargo por conta de procuração

07/02/2017

/ por Paulo Melo
Armando Lardosa*

Sempre que se fala em condomínios alguns de nós sentem até arrepios só de lembrar dos problemas, desavenças e aumento de despesas que são apresentadas nas assembleias


Com relação a posição de sindico (cargo eletivo) não diria que é comum, mas com certeza posso afirmar que existem muitos casos em que os mesmos cumprem sucessivos mandatos, quase como se fosse um cargo vitalício. E um dos motivos mais fortes é a ausência de participação dos condôminos em assembleias, conforme citamos no parágrafo anterior. Isso acaba sendo um “prato cheio” para quem quer se perpetuar no cargo.

Ele se vale dos argumentos de que há vários aborrecimentos e contratempos, além dos problemas com legislação e funcionários, mas que ele está sempre a disposição de defender os interesses de todos e que tem tempo (hoje em dia tão precioso), e assim solicita procurações e vai sendo eleito sucessivamente.


Para que este cenário não se repita por várias vezes, há que se regulamentar na Convenção ou Regimento interno, dependendo de cada condomínio, a quantidade limite de procurações por cada condômino. Isso dificultaria essa “ditadura” dentro do condomínio. Mas, de novo, isso só vai acontecer e fazer sentido com uma participação mais efetiva e numerosa dos condôminos. As pessoas precisam se convencer que a participação de todos ou pelo menos da maioria, é fundamental para que as deliberações aconteçam, de fato, de acordo com a maioria ou quórum especifico de acordo com o assunto, o patrimônio seja de fato mantido em sua saúde física e financeira, entre outros. Afinal cada um de nós comprou o imóvel como consequência de uma poupança, muitas vezes forçada, e não podemos nos descuidar da manutenção e valorização deste patrimônio.

Deixar para depois alguma ação importante que precisa ser tomada, relaxar na tomada de preços por já ter conhecimento de fornecedores, perder o senso crítico por já está acostumado com determinada não conformidade, tornar alguns procedimentos informais além do que deveria. Isso tudo pode trazer danos de toda sorte ao condomínio.

Entendemos que o melhor cenário é um rodizio em relação a posição de síndico, bem como do Conselho Consultivo. É importante que os condôminos passem pela experiência nos cargos administrativos do condomínio, e assim, além de entenderem melhor as dificuldades dos cargos, contribuam a favor do patrimônio de todos. Ou então optem pela alternativa de uma gestão com “Síndico Profissional”, pessoa física ou jurídica, e em contrapartida participem do Conselho para acompanhar de perto esse modelo de gestão. Mas reforçamos a importância da participação de todos conforme citado no início deste parágrafo.

Citamos abaixo, para exemplificar, uma situação em que um condômino se perpetuava no cargo de síndico, e que a mobilização de todos a favor de mudanças, e consequentemente ”oxigenação” da gestão são fundamentais.

Em um determinado condomínio um dos moradores tinha várias procurações para se eleger, mas não o suficiente. Então decidiu montar uma estratégia com outra moradora, que tinha várias procurações, da seguinte forma: eles simulavam uma divergência de opiniões e ao longo da assembleia, sem que ninguém percebesse caminhavam para um consenso e o sujeito sempre se reelegia. Foi difícil mudar esse cenário, mas os condôminos conseguiram.

Vida em Condomínio não é fácil, pois temos que lidar com as diferenças entre nós e nossos vizinhos, sem que necessariamente haja o certo ou errado, apenas diferenças.

Boa sorte e sejamos tolerantes acima de tudo.


*Armando Lardosa é executivo sênior. Possui carreira construída no segmento hoteleiro desde 1990, gerindo hotéis renomados, como: Portogalo, Porto Real Resort, Rede Mirador de Hotéis, entre outros. Expressiva vivência nas áreas de Hospedagem e A&B. Forte perfil relacional (Relacionamento e Fidelização), com trajetória profissional ascendente, destacando a habilidade de liderança e planejamento, pró atividade, resiliência e comunicação.

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