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Chuvas intensas e aumento de casos no País podem ter causado crescimento da dengue no DF

Segundo o Inmet, mesmo antes de terminar, janeiro tem o segundo maior índice acumulado desde a década de 1990. Governo de Brasília promove ações continuadas para eliminar o mosquito transmissor da doença

Quatrocentos e oitenta e sete moradores de Brasília tiveram suspeitas de dengue confirmadas nas primeiras semanas de 2016. Os dados constam do terceiro informe epidemiológico do ano divulgado na quarta-feira (27) pela Secretaria de Saúde, referente aos casos registrados até 25 de janeiro. A quantidade é superior ao mesmo período de 2015, quando houve 192 confirmações entre moradores da capital.

O subsecretário de Vigilância à Saúde, da Secretaria de Saúde, Tiago Coelho, afirma que a pasta investiga o aumento das incidências. Segundo ele, diversos motivos podem ter contribuído para esse crescimento, como o fato de ter chovido mais neste mês em relação a janeiro do ano passado, de haver ocorrido uma maior propagação dos quatro tipos de vírus da dengue e de os casos terem se intensificado em todo o País.

"Em 2015, houve a maior série histórica nacional, com mais de 1 milhão de brasileiros contaminados. Aqui em Brasília há uma circulação muito grande de pessoas, incluindo os brasilienses que vão para outras unidades da Federação e voltam com o vírus", explica Coelho. O subsecretário acredita ainda que a elevação da quantidade de notificações pode ter sido causada pela obrigatoriedade, desde 2 de janeiro, de os planos de saúde oferecerem testes rápidos que identificam a dengue, a febre chikungunya e o zika vírus.

Chuvas
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), um corredor de umidade que passa pelo Centro-Oeste tem afetado a quantidade de chuva em Brasília. De acordo com o instituto, as chuvas deste janeiro ultrapassaram a média do mês calculada desde 1961. Até esta quinta-feira (28), choveu o equivalente a 381,7 milímetros, quando a média é de 247,4 milímetros. No ano passado, até o mesmo período, havia chovido apenas 55,3 milímetros, e o acumulado do ano inteiro foi de 93,9 milímetros.

A meteorologista do Inmet Ingrid Peixoto afirma que, desde a década de 1990, esse é o segundo maior acumulado de chuva registrado. O primeiro foi em 2013, quando o total do mês chegou a 491,8 milímetros. Até a terceira semana avaliada daquele ano, os casos de dengue confirmados chegaram a 307.

Ações
O governo de Brasília tem feito ações continuadas para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, das febres chikungunya e amarela e do zika vírus. Na quarta-feira (27), foi divulgado no Diário Oficial do Distrito Federal aviso de dispensa de licitação emergencial para investir R$ 913.686,45 em inseticida que abastecerá os equipamentos de combate ao inseto. De acordo com o diretor de Vigilância Ambiental em Saúde, da Secretaria de Saúde, Divino Martins, o Executivo também utiliza dez máquinas ultrabaixa volume (fumacês), 280 litros de inseticida específicos para os fumacês e 600 litros de inseticida específicos para serem aplicados em depósitos de ovos do Aedes aegypti.

Além dos equipamentos, o governo investe em forças-tarefa para enfrentar o mosquito. Nesta semana, o Exército esteve em Brazlândia, região administrativa com o maior número de casos de dengue neste ano. Cento e cinco militares vistoriaram 655 casas à procura de focos de proliferação do inseto.

O chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental de Brazlândia, da Secretaria de Saúde, Alessandro dos Santos, afirma que um dos motivos para o aumento do contágio na região é a proximidade com o estado de Goiás. "Aqui é perto de Ouro Verde [município goiano], e 70% dos habitantes de lá tiveram dengue", detalha.

Decreto
Na segunda-feira (25), o governador Rodrigo Rollemberg assinou o Decreto nº 37.078, que deixa claros os deveres da população e do Executivo no combate a vetores de doenças, como o Aedes aegypti. "O decreto não cria regras novas e não muda a forma de operação da luta contra esses vetores, mas reúne marcos legais existentes", destaca o diretor de Vigilância Sanitária, da Secretaria de Saúde, Manoel Silva Neto.

O texto, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal de terça-feira (26), regulamenta o Artigo 41 do Código de Saúde do DF (Lei nº 5.321, de 6 de março de 2014), segundo o qual "compete aos condomínios dos edifícios residenciais e comerciais e aos ocupantes de habitações individuais manter a higiene dos imóveis e adotar as medidas necessárias para evitar a entrada e a permanência de vetores, de animais sinantrópicos ou peçonhentos e de moluscos".

Cuidados e sanções
Para evitar a criação de abrigos a esses bichos, o decreto lista cuidados como o descarte ambientalmente correto de materiais que possam acumular água, a vedação correta de caixas d'água e o tratamento adequado da água em piscinas. "É preciso deixar claro que sem a participação da comunidade nenhum esforço do Estado será suficiente", destaca Manoel Silva Neto. Além disso, responsáveis por floriculturas e viveiros de plantas ficam proibidos de utilizar vasos, floreiras ou quaisquer ornamentos ou recipientes que não tenham orifício de drenagem. Moradores que quiserem denunciar lugares suspeitos de abrigar focos de vetores de doenças podem ligar para o número 160.

As sanções para quem resistir às exigências ou descumpri-las variam de advertência a multas, conforme previsto na Lei Federal nº 6.437, de 20 de agosto de 1977. Os valores, a depender do grau da infração (leve, grave ou gravíssimo), vão de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.

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