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Afogamentos dobram em um ano no DF

Número passou de 36 para 60. Ontem, estudante morreu no Lago Paranoá

Mais um caso de morte por afogamento engrossa as estatísticas do DF. Um estudante de 21 anos morreu após tentar atravessar um trecho do Lago Paranoá na madrugada de ontem. A água batia na altura do peito do jovem, mas, ao cair em um buraco, ele acabou afundando. O Corpo de Bombeiros registrou quase o dobro de ocorrências semelhantes no ano passado em comparação a 2014: o número subiu de 36 para 60. Em 2016, é o primeiro caso. 

O afogamento de ontem ocorreu na altura do Projeto Praia do Cerrado, ao lado do Pontão, sentido Lago Sul. De acordo com o capitão Reynaldo, do Corpo de Bombeiros, a vítima, Mayron Bezerra da Cruz, e dois amigos, moradores da Vila Telebrasília, tinham saído para se divertir. Eles teriam passado a noite bebendo e, de madrugada, foram a pé até o local onde aconteceu o incidente. 

“Eles tiveram a ideia de entrar na água caminhando. Dois deles sabiam nadar, mas o outro não. Nisso, dois resolveram sair da água e o outro rapaz continuou. Ele estava com água na altura do peito, mas caiu num buraco no meio do lago e se desesperou ao não sentir o chão. Talvez, se ele soubesse nadar, manteria a calma e daria um passo para trás. Mas, como não sabia, afundou”, relata.

Um dos amigos da vítima, o estudante de Educação Física Diego Soares, 23 anos, foi quem tentou socorrê-la. Ele conta que, antes de saírem de casa, Mayron teria dito algo estranho para os amigos.

“Foi esquisito, parecia que ele estava prevendo. Ele falou para a gente: 'Se eu morrer, fala para o meu pai que eu gosto do Jack (o gato de estimação)’. E o estranho foi que ele repetiu essa história de novo, assim que chegamos aqui no lago”, lembra.

Segundo Diego, o rapaz aparentava tranquilidade. “Saímos da água e ele ficou. Daí, percebemos que ele estava se afogando e perguntamos se ele estava bem. Ele fez um sinal de ok com a mão, afundou e não o vimos mais. Mergulhei muitas vezes tentando encontrá- lo, mas não consegui”, relata o jovem.

Quarenta minutos de tentativas

Ao todo, 20 bombeiros, um carro, duas lanchas e uma moto aquática foram utilizados na busca e salvamento de Mayron, que passou mais de 20 minutos submerso e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação por cerca de 40 minutos, além da retirada de líquido do pulmão, mas ele não resistiu. A perícia da Polícia Civil esteve no local para investigar o incidente.

Amigo da vítima, William Pires Martins, 19 anos, foi quem chamou o Corpo de Bombeiros. Ele conta que conhecia o rapaz há cinco anos. “Estou anestesiado. A gente sentou nos balanços aqui em frente e ficou conversando. Estava escuro ainda. Daí, ele disse que também ia dar um mergulho. Pedi para ele não ir, mas ele teimou. Ainda o vi fazendo uns gestos estranhos, achei que estava brincando, mas depois percebi que estava se afogando”, afirma. Ele conta que o rapaz estudava para o Enem a fim de conseguir uma bolsa de estudos para a faculdade. 

O pai da vítima, Marcelo Gonçalves da Cruz, visivelmente abalado, se limitou a dizer que o filho era alegre e uma boa pessoa.

Alerta 

Diante do incidente, os bombeiros alertam para os riscos de afogamento. “O lago dá a impressão de ser raso em alguns lugares, mas tem muitos desnivelamentos e é cheio de buracos. Se a pessoa ingerir bebida alcoólica, não deve entrar. Se não souber nadar, não pode se arriscar. Também nunca se deve entrar sozinho”, conclui o capitão Reynaldo.

Memória

Esse foi o primeiro caso de morte por afogamento em 2016 no DF, mas não na Região Metropolitana. Em 1º de janeiro, em Planaltina (GO), a vítima foi Ademar Rodrigues, 46 anos. Ele participava de um partida de futebol, resolveu tomar banho em uma lagoa e se afogou.

Fonte: Jornal de Brasília.

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