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OPINIÃO Brasília, uma cidade sem líderes



Por Ricardo Callado

O Distrito Federal passa por um vazio de lideranças. Isso gera crise política e ingovernabilidade. Inexistem grupos políticos fortes. Sem líderes, também não existem liderados. É cada um por si.

O atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB) sempre se caracterizou por não possuir um grupo político. O seu partido sempre foi pequeno no Distrito Federal. E sem nomes importantes. O PSB sempre foi o partido de Rollemberg. E apenas dele. Quem crescia dentro da legenda era podado. É o líder da sigla, mas sem liderados. O líder de si mesmo.

Até o ano passado tudo estava sob controle. Esse modelo ajudava os planos políticos. O momento político também ajudou. Conseguiu ganhar a eleição contra um candidato à reeleição mal avaliado e um ex-governador que foi impedido de concorrer, tendo que abrir mão da vaga para seu candidato a vice. Agnelo Queiroz (PT), José Roberto Arruda (PR) e Jofran Frejat (PR), respectivamente. Ai ficou fácil para Rollemberg.

O problema é que ao assumir o GDF o fato de não ser um líder nato atrapalhou os planos. Ninguém fora do governo obedece ao governador. A Câmara Legislativa está se lixando. Principalmente quando assessores de dentro e fora do governo fomentam a intriga. Consideram a Câmara e os deputados como inimigos. Isso tem tudo para não dar certo. Não existe respeito entre os poderes, porque não existe liderança forte.

O ex-governador Agnelo Queiroz (PT) também sofreu por não ser um líder nato. Chegou ao poder num momento de terra arrasada com a deflagração da Caixa de Pandora (leia mais no livro Pandora e outros fatos que abalaram a política de Brasília, de minha autoria).

O governo caiu no colo de Agnelo. E ele não tinha força nem dentro do seu partido, o PT. Era um neófito. Saído do PCdoB e incorporado no petismo para ser candidato ao Buriti. Um nome inventado pelo deputado Chico Vigilante.

Arruda estava se preparando para ser um grande líder. A Caixa de Pandora passou por cima do seu projeto. Os escândalos de corrupção derrubaram sua carreira política. Tinha pulso. Era firme em suas posições e fazia um bom governo. Mas se atrapalhou com a Pandora.

O último grande líder foi Joaquim Roriz. A idade avançada e o estado de saúde precário o afastaram da política. Conseguiu sobreviver a escândalos como o da Bezerra de Ouro. E ainda é adorado pela população. Vai demorar para surgir outro líder como Roriz.

Estamos diante de um panorama desalentador mas significativo do esvaziamento de lideranças civis. Da classe política, pouco se pode esperar, envolvida que está, ela, em seus interesses próprios e partidários, no pragmatismo do aproveitamento generoso do poder. Com exceções. É claro.

Brasília não tem lideranças políticas à altura de nossa história e de nossas tradições, pois os que foram e têm sido eleitos representam muito mais a si mesmos e a seus grupos de interesses do que a comunidade.

Novos nomes precisam surgir em 2018. Para o bem de Brasília.

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