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Justiça absolve policiais acusados de massacre na Estrutural

Crime aconteceu em agosto de 1998. Ao todo, 12 PMs foram indiciados

O Tribunal do Juri de Brasília absolveu todos os nove militares acusados de participar do massacre da Estrutural em 1998. A barbárie terminou com três pessoas mortas, uma tentativa de homicídio e uma lesão corporal. O julgamento começou na segunda-feira (24/8) e só terminou na tarde deste sábado (29/8). No início do processo eram 12 policiais. Um dos acusados morreu, outro foi absolvido e tornou-se "impronunciável". Dos 10 restantes, Márcio Serra Freixo teve o processo desmembrado e o futuro dele será decidido apenas em setembro, segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). O último policial foi julgado a revelia, pois não compareceu às sessões.

Da sentença ainda cabe recurso e o juri pode ser anulado. A decisão de absolver os réus foi do Conselho de Sentença, composto por sete jurados. O grupo se reuniu na sala secreta neste sábado (29/8) para o resultado final. Na noite de sexta-feira (28/8) o juiz interrompeu o processo pouco depois da meia-noite. Não houve tréplica nem réplica e no mesmo dia encerraram-se os debates. Das 47 testemunhas requisitadas inicialmente, apenas 30 foram ouvidas. 

Na época Luciano Pires Aquino, Milton de Sá e Regina Célia do Nascimento morreram. Roberto José dos Reis filho foi vítima da tentativa de homicídio e Rosita Maria Gomes agredida. O motorista Edson de Sá, 39 anos, filho de Roberto José, o Azul, que levou um tiro no maxilar e foi enterrado vivo à época do massacre, está inconformado com a decisão. “Ficamos 17 anos esperando esse julgamento. Meu pai ficou escondido, a família acabou. Mas, como sempre, os pobres levaram a pior”, lamentou.

Segundo ele, o tribunal fechou os olhos para as vítimas da ação policial. “Só porque os julgados são da polícia não aconteceu nada. Apresentamos várias provas, meu pai contou o que aconteceu com ele, e simplesmente todos foram eximidos da culpa”, acrescentou. “De fato, a Justiça é cega”, concluiu. A família deve entrar com recurso contra a decisão amanhã.

Antes da sentença final, um dos acusados, o sargento aposentado Francisco Alves de Lima, 51 anos, dizia ser injustiçado. “Sou parte de um inquérito muito mal organizado e cheio de falhas. Existe uma grande injustiça acontecendo”, alegou. 

Entenda o caso
Em agosto de 1998, os policiais militares Daniel de Souza Pinto Júnior, Luiz Henrique Fonseca Teixeira, Carlos Chagas de Alencar, Rodrigo Moreira de Souza, Antônio da Costa Veloso, Francisco Alves de Lima, Vangelista Pereira de Sousa, Cássio Marinho, Márcio Serra Freixo e Eduardo Araújo de Oliveira, a serviço da corporação, teriam praticado os crimes contra os moradores da invasão. À época, testemunhas afirmaram que a truculência dos policiais causou dezenas de mortes e deixou sequelas em outras vítimas.

Todos os crimes teriam sido cometidos durante a Operação Tornado. Inicialmente anunciada como ação policial de combate à falta de segurança na Estrutural, a intervenção foi considerada criminosa pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). E teve como motivação vingança. Os policiais teriam se reunido para compensar a morte de um colega da corporação, assassinato com um tiro por um dos moradores da região. Aproximadamente 1,5 mil policiais militares participaram da operação.

Fonte: CB.

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