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BuritiLeaks: distritais dizem que são gravados no Palácio do Buriti

Foto: Bertoldo Neves
Os arquivos, divulgados na internet, complicam a relação do GDF com parlamentares locais, que pressionam o governador quanto a cargos no primeiro escalão. Origem do vazamento continua um mistério

O vazamento de áudios de uma reunião fechada dentro do gabinete do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) azedou a relação entre Executivo e Legislativo locais. Quando pediu demissão da chefia da Casa Civil do GDF, duas semanas atrás, Hélio Doyle fez duras críticas a distritais e citou pedidos “não republicanos” feitos por deputados. 

As conversas gravadas que se espalham desde segunda-feira nas redes sociais confirmam a pressão por cargos citada pelo ex-supersecretário. Para piorar a situação de Rollemberg na Câmara Legislativa, em um dos trechos ouve-se claramente a presidente da Casa, Celina Leão (PDT), cobrando a presença de parlamentares no primeiro escalão do Palácio do Buriti. O vazamento não agradou à distrital, que deve dificultar ainda mais a aprovação de projetos de lei (PL) do GDF na Câmara.

Desde o rompimento de Celina com o governo local, no início do mês, o governador tem feito diversos gestos para restabelecer a relação com a pedetista a fim de viabilizar que os PLs de aumento de arrecadação passem pela Casa. Agora, porém, Celina, que tinha ensaiado uma reaproximação após a demissão de Doyle, voltou a disparar contra Rollemberg. “Esse governo é uma extensão do de Agnelo Queiroz (PT). Aliás, é pior do que o anterior”, afirmou ontem à tarde, insatisfeita com o vazamento dos áudios. Horas antes, pela manhã, ela se sentou ao lado de Rollemberg em um evento público.

Ontem à noite, a presidente da Câmara pediu audiências com a Procuradoria-Geral de Justiça do DF, com a Polícia Civil do DF e com a Polícia Federal. Ela vai entregar um pedido dos 24 distritais para que seja aberta uma investigação sobre o caso. Segundo ela, as gravações estão editadas, mostram apenas áudios dos deputados e desgastam a imagem da Casa.
Juarezão (PRTB) é outro integrante da base aliada que tem demonstrado insatisfação com o GDF. Agora, deve endurecer o discurso contra o socialista. Ele também teve uma gravação vazada, mas afirmou que “não se lembrava do encontro”. É ele quem cita a divisão da “fatia do bolo” (leia ao lado).

A reunião alvo da polêmica ocorreu em 14 de maio, no Buriti, pouco antes da coletiva em que Rollemberg anunciou o segundo pacote de medidas para aumentar a arrecadação do GDF. O objetivo do encontro era conquistar o apoio dos parlamentares para a aprovação dos projetos na Casa. Estavam presentes cerca de 30 pessoas, entre assessores, secretários do GDF e 11 distritais. Naquele dia, ficou decidido que o projeto de aumento do IPTU seria enviado à Câmara apenas no segundo semestre, pois os distritais haviam demonstrado contrariedade à proposta. Na ocasião, além de cargos, o Correio apurou que os deputados teriam cobrado a liberação de emendas parlamentares do governador.

O deputado Dr. Michel (PP) era um dos presentes no encontro no gabinete do governador. Ontem, na 5ª edição do Câmara em Movimento, em Brazlândia, ele reafirmou ser importante a distribuição de cargos. “Se tem cargos para uns, tem de ter para outros. Se não tem, não tem. Não pode haver desigualdade, simples assim”, opinou.

Celina criticou o vazamento: “Como um áudio de dentro do gabinete do governador vaza assim?” Na gravação, a trabalhista questiona o fato de não haver deputados, locais ou federais, no primeiro escalão do GDF. Celina disse não ver problema na afirmação e classificou a conversa como “absolutamente republicana”. “Ter um representante da classe política à frente de uma secretaria não é nenhuma novidade”, argumentou.

“Doyle é passado”
Segundo o secretário de Relações Institucionais e Sociais do Distrito Federal, Marcos Dantas, o governo “condena a prática da arapongagem”. “Como essa conversa foi parar na internet, não sei. Havia, além dos secretários e dos deputados, outras pessoas dentro do gabinete. Não é possível apontar o dedo para ninguém”, avaliou. Questionado sobre as declarações do ex-chefe da Casa Civil Hélio Doyle — que deixou o governo em 10 de junho e, em coletiva convocada para oficializar a saída, citou as negociações por cargos, anteriormente negada por parlamentares —, Dantas limitou-se a dizer que o ex-colega de governo “é passado”. “Não podemos criminalizar as conversas. O tom do encontro foi absolutamente republicano”, afirmou. 

São informações do Correio Braziliense.

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